Pra cada pessoa o amor se manifesta de várias formas.

Pra mim, uma delas é em forma de “to passando na sua casa pra deixar manga pra vocês”.

Eu não sei se você sabe, mas eu casei grávida.
Sim, barrigudíssima de véu, grinalda e entrando na igreja com marcha nupcial. E na mão um Buquê que nem conseguia esconder meus 6 meses de gestação.

Duda nasceu poucos meses depois e no final de 2005 eu já estava inclusive fazendo introdução alimentar daquela branquelinha de bilhas azuis. Alí surgiu pela primeira o “to passando na sua casa pra deixar manga pra vocês”.

Era o casamento perfeito entre a melhor época de manga carlotinha, a introdução alimentar da Duda e a forma que meu pai tinha de demonstrar amor… levando as melhoremos mangas pra, como ele dizia: a pipoquinha banquela.

TODOS OS ANOS, de 2005 até 2011, ele dava um jeito de achar esse tipo específico de mangas pra levar pra gente.

Mas até alí, manga era manga.

Até que chegou janeiro, época das mangas mais doces do mundo, 4 meses depois do meu pai ter falecido.
Eu lembro de olhar do meu quarto pro portão e entender que eu nunca mais veria uma sacola de mangas penduradas me esperando.

Eu chorei tanto, tanto, tanto. Eu sentia vazio e desproteção.
E então compreendi como “to passando na sua casa pra deixar manga pra vocês” significava amor.

Eu nunca contei isso pra ninguém, só pro Felipe, quando todo ano milagrosamente alguém me liga “Cla, você gosta de manga, to deixando ai pra vcs”, eu relembro em voz alta “isso me lembra as mangas do meu pai”.

Hoje minha mãe me trouxe uma sacola lotada de mangas.
Semana passada foi meu Tio Mario.

MAs sabe de uma coisa surpreendente?
Em nenhum ano, desde que meu pai partiu, eu deixei de ganhar mangas.

E isso, pra mim, é um reforço de uma das minhas crenças mais potentes: A de que o universo está sempre se organizando pra prover todas os gestos de amor que a gente precisa pra se sentir vivo e amado.

E ele faz isso até com mangas.